Sunday, September 17, 2006

Dia 4


Segunda-feira não tinha muito o que fazer. Acordei, comi um sanduíche e fui pro centro de novo, buscar umas fotos que eu tinha mandado revelar no domingo. Um filme que eu trouxe do Brasil e que tem fotos dos meus alunos queridos e da minha última noite em Porto Alegre! Saudades...
Voltei, assisti TV com meus colegas e fui até um restaurante chinês perto daqui comprar minha janta. O problema é que os chineses daqui são ultra apimentadossss!!! Mas comi... não ia colocar fora.
Enfim, uma segunda-feira típica, sem grandes acontecimentos. Ah, eu conheci a Claire hoje... confesso que eu tava com medo dela, porque tudo o que eu perguntava da casa pro Gareth, ele respondia que a Claire é que sabia. Daí, imaginei que quem mandava era ela. E, de fato, quem manda é ela, mas ela é muito simpática, não precisa ter medo.

Saturday, September 16, 2006

Dia 3


Domingo foi um dia muuuuuito bom! A chuva parou e o tempo abriu e esquentou. Resolvi que eu ia fazer minha primeira incursão pelo centro da cidade. Ganhei uma carona do Gareth, que estava saindo pro trabalho (meus colegas trabalham em hotéis no centro). Fui até o trabalho dele, de onde seqüestrei mapas e vários folhetos de atrações turísticas, que me têm sido muito úteis. Dali, fui caminhando pela cidade velha até a Royal Mile, que, fui aprender depois, tem esse nome porque é uma rua que começa no Castelo de Edimburgo e termina no Palácio de Holyroodhouse (residência oficial da Rainha na Escócia). Almocei um outro sanduíche num bar antes de alcançar a Royal Mile. Quando cheguei na tal rua, simplesmente fiquei de queixo caído. É maravilhosa!! Uma rua medieval, cheia de pubs casas antigas e pequenas ruelas derivando dela, que são chamadas 'closes'. Cada 'close' tem um nome, geralmente de uma pessoa que morou por ali. Ainda não desci por nenhum deles, mas é parte do plano. O mais famoso é o Mary King's Close, pelo qual se pode fazer uma caminhada conduzida por um guia vestido a caráter com roupas do século XVII. Voltando à Royal Mile, quase todos os pubs têm uma placa na porta explicando a sua história ou a origem do nome. Alguns datam dos séculos XV e XVI. E tem também milhares de lojas familiares, fábricas de kilts e de gaitas de fole, pequenas livrarias, museus... também fica na Royal Mile o centro de contação de histórias (Scottish Storytelling Centre), que vai hospedar o Festival de Contação de Histórias no fim do mês. Não me agüentei (aliás, vocês vão ver essa frase muitas vezes por aqui) e comprei um cartão telefônico internacional, entrei numa cabine de telefone vermelha e liguei pra casa, pra contar pra minha mãe e pra minha irmã tudo o que eu estava vendo! E senti que precisava de uma câmera fotográfica (hihihihihihi)... continuei andando depois de conversar por uma meia hora no telefone e cheguei à Northbridge. Tem essa rua estranha que na verdade são duas pontes, a do Norte e a do Sul. O estranho é que a gente não se dá conta que está em cima de uma ponte, pq só vê prédios dos dois lados. Mas enfim... tem um ponto de cada uma que dá pra ver que é uma ponte. Continuei caminhando pela Northbridge e vendo mais pubs, bares e lojas de todo tipo. Tudo aberto e com um certo movimento, já que era o dia do encerramento oficial do Festival Internacional de Edimburgo. Fui até a Princes Street, a rua principal do centro. Princes Street também é algo à parte. É uma avenida que divide a cidade velha (medieval) e a cidade nova (século XVIII). Só tem construções de um lado da avenida, pra deixar a vista liberada pro Castelo, do outro lado. Na parte construída, tem prédios antigos maravilhosos, todos hospedando as mais modernas lojas na parte térrea. Tem de tudo: grandes lojas de departamentos, como a Marks and Spencer e a Jenners (que é a Harrods escocesa), muitas lojas de telefonia móvel, redes de fast-food e um Starbucks Coffee em cada esquina. Do outro lado da rua, tem um ponto que tem uma estação de trem, a Waverley, que fica subterrânea. Acima a estação, tem um shopping que está em fase de remodelação e o centro de informações turísticas (ambos um nível abaixo da calçada). Adiante um pouco, entre a avenida e o Castelo, tem os jardins... Princes Street Gardens! Gente, eu não desci lá ainda, mas já deu pra ver que é o máximo! Descobri depois que o lugar onde ficam os jardins era um Loch (lago) em que a Inquisição jogava mulheres suspeitas de bruxaria. Se elas se afogassem, eram inocentes, se não, eram bruxas e eram queimadas na fogueira. Não tinha mesmo como escapar. Enfim, depois de passada essa época, resolveram drenar o lago e construir os jardins. Linda história... Caminhando mais um pouco, tem duas galerias de arte, as National Galleries of Scotland, que freqüentemente hospedam exposições de artistas renomados. No momento, as esculturas de Ron Mueck estão expostas lá. Continuei caminhando e encontrei uma loja de equipamentos digitais!!! Que felicidade! Entrei, escolhi uma ofertinha básica e comprei minha máquina digital. Saí da loja e sentei num banco numa praça pra aprender a lidar com o troço. Nem li manual. Só liguei e fui mexendo... coloquei as pilhas e fui fuçando. Só tinha um probleminha: não tinha jeito de eu conseguir abrir o pacote do cartão de memória! Tentei na unha, tentei com a chave, não deu. Aí, eu tive uma idéia: ir tomar um café nalgum lugar e pedir uma faca ou tesoura emprestada. Fiz meu caminho de volta, ainda sem poder bater fotos. Andei, andei, até achar um lugar que parecesse bom sem ser muito caro. Voltei na Northbridge e lá encontrei um café dentro de uma galeria com jeito de ser bom e barato. Entrei, sentei e pedi uma fatia de torta de chocolate (totalmente deliciosa!) e um Earl Grey (eram mais ou menos cinco da tarde... risos). Como a torta veio com garfo e faca, não precisei pedir... consegui abrir meu pacotinho. Pena que eu consegui fácil, porque podia ter pedido a ajuda do moço de olhos azuis que tava atendendo... hehehehe. Devia ter me feito de abobada. Bom, com cartão de memória em mãos, máquina pronta, voltei pra rua e saí tirando fotos de tudo. Algumas vocês podem conferir aqui, outras no meu álbum do orkut e mais ainda no fotolog que eu tô fazendo. E assim voltei até os jardins da Princes Street pra ver o espetáculo de fogos de artifício que encerraria oficialmente o Festival. Depois que o sol se foi, porém, esfriou... e a minha garganta reclamou mais. Mas fiquei lá, firme (tremendo de frio) até o final do espetáculo. E valeu a pena... cerca de 45 minutos de fogos de artifício acompanhando a orquestra de câmara de Edimburgo, ao tema de Romeu e Julieta de Prokofiev - o que teve um sabor especial pra mim. Voltei pra casa às 23h, com fome e com frio, mas muito feliz!

Dia 2

No sábado choveu. Acordei, arrumei o resto das minhas roupas nas gavetas e nos armários e tive que deixar algumas ainda dentro da mochila, que não vão caber em lugar algum. Tentei sair de casa, mas não consegui, visto que eu não sabia do esquema estapafúrdio pra abrir a porta - eu não ia imaginar que tinha que puxar a maçaneta pra cima enquanto gira a chave pra poder destrancar a porta. Assim, tive que esperar o Gareth chegar do trabalho pra poder sair de casa. Ainda não tinha conhecido a Claire, que é de uma cidade chamada Dundee, a uma hora daqui, e era lá que ela estava.
Enfim, meu colega de casa chegou e me ensinou como usar a porta (dã) e eu pude ir dar um passeio pelo bairro depois de comer o resto de fish and chips de sexta à noite. Saí pra dar uma caminhada meio sem rumo debaixo da chuva. Encontrei pracinhas, um centro de lazer, um pub (óbvio) e um centro de apostas em meio às casinhas geminadas todas no mesmo tom de marrom com rosas maravilhosas nos jardins. Mas o mais legal foi que eu encontrei a universidade! hehehehe E descobri que dá pra ir a pé até lá... leva uns 20 minutos, mas faz bem pro corpo e pro bolso.
Depois da minha caminhada, simplesmente voltei pra casa, passei a mão nuns trocos e fui até o mercadinho da esquina (sim, tem disso aqui) comprar umas coisinhas pra fazer um sanduíche. O mercadinho é bem simpático, chama Scotmid, é uma rede de mercadinhos de bairro (como em Porto Alegre). Não é o lugar mais barato pra "fazer rancho", mas quebra um galho. Voltei pra casa, comi meu sanduichezinho e tomei um suco e fui dormir, sentindo a garganta arranhar...

Sunday, September 10, 2006

E passada uma semana...


Bom, pessoas, estou em divida com vcs. Mas td se resolve: vou postar aqui como foi, em detalhes e sem acentos, a minha primeira semana em Edimburgo. Primeiras impressoes: o povo eh muito simpatico, muito educado com desconhecidos, mas levemente porquinho... tem uma quantidade consideravel de lixo nas ruas, infelizmente. Telefonar pro Brasil eh muito caro. Frutas tb sao caras - obvio. A cidade velha eh maravilhosa! A gente tem que levantar a macaneta de um jeito estranho pra chavear a porta. Nao tem chaleira normal na casa que eu moro, soh eletrica, o q complica bastante na hora do mate, pq a dita-cuja nao chia! Alias, eu esqueci minha bomba em Porto Alegre, ateh tentei tomar chimarrao de canudinho, mas eh ruim... fico aguardando a minha pelo correio. Ah, e fez sol e calor a semana inteira, viu, seus agourentos?!!! hehehehe... Vamos aos detalhes, entao...


Dia 1

Eu vou considerar o primeiro dia com sendo dois, tah? Sai de Porto Alegre as 8h da manha... confesso que quando o aviao levantou voo e eu vi a cidade de cima talvez pela ultima vez em uns dois a tres anos, chorei. Comecou a cair a ficha ali. Cheguei a Sao Paulo por volta das 9h30 e nao encontrei meu (melhor) amigo Liandriiinho (ele ainda me mata por isso), com quem eu tinha marcado. Liguei pra ele, tava no metro, indo pro aeroporto. Conseguiu chegar lah quase as 11h... hehehehe. Sampa eh grande demais! Almocamos uma suculenta pizza hut e fui pra fila interminavel do guiche da Air France... e quando eu quase alcancava o ponto do check in, um rapaz da companhia me deu a noticia que eu pagaria U$ 150 por uma mala a mais que eu queria despachar... (esqueci de mencionar que em POA eu paguei R$90 de excesso de bagagem)! Pra evitar o excesso de dolares, sai da fila, abri a mala e tentei tirar dela td o que era cosmetico e enfiar nas outras, pois em funcao dos ataques terroristas, tais produtos nao sao mais permitidos na bagagem de mao. Voltei pra fila. Fizemos mais um tempinho, tomamos um cafe e embarquei, deixando agora o Brasil. O voo foi tranquilo, gostei muito da companhia. Cada poltrona tem um monitorzinho proprio, a gente pode escolher o filme que quer assistir ou a musica que quer escutar. Tb tem joguinhos! Assisti "Missao Impossivel 3" e "Os Sem-Floresta". Bonzinhos os dois. A comida a bordo era muito boa... nada como um voo internacional pra se recuperar das barrinhas de cereal co amendoim! hehehehehe... q preconceito.
Enfim, aterrissei na Franca as 8h30 da manha da setxa-feira, dai 1/9/06. Desci do aviao cansada e precisando demais de um banheiro. Depois de aliviada, fui procurar ajuda, pois o tal Charles de Gaulle eh um lugarzinho estranho... os dois primeiros funcionarios que encontrei nao falavam (ou nao queriam falar, sabe como sao esses franceses) ingles. A terceira moca nao me deixou sair do pavilhao onde eu estava e me mandou direto pra fila do embarque dos voos pro Reino Unido - mas meu voo era as 16h45! Sem conversa, vai pra fila! E era grande a fila! Mais uma horinha ali, passa em raio x, abre mala, mexe na mala, fecha a mala... a policia tava pedindo pra galera tirar ateh sapato e cinto! Bom, passada essa fase, vi-me no setor de embarque com algumas lojas caras, alguns telefones, lugares pra comer e nenhum cybe cafeh - soh pontos de internet sem fio! Comprei um cartao pra ligar pra casa. E esperei. Comi, ouvi musica e esperei. Ateh chamarem pro embarque do meu voo pra Edimburgo. Entra na fila, abre mala, mexe na mala, fecha a mala. Desce escada, pega onibus e da uma volta no aeroporto inteiro. Embarca no teco-teco... e dorme! Dormi uma boa meia hora... e quando acordei, surpresa! Ainda estavamos em Paris! O voo atrasou 45 minutos... e eu nao tinha como avisar o meu colega de casa, que ia me buscar em Edimburgo... paciencia. Quando finalmente decolamos, dormi de novo. E acordei a tempo de ver um rabinho do Canal da Mancha e as primeiras estradas britanicas, "viradas". A partir dai, comecei a me sentir mais aliviada e inquieta ao mesmo tempo. Aterrissamos em Edimburgo por volta das 18h30. Cansada, fedida e com milhares de quilos de malas, fui saudada por uma propaganda do Royal Bank of Scotland, em cujo banner lia-se a frase "Make it happen" (faca acontecer). Pensei em toda a jornada pela qual passei ateh chegar aqui e me senti vitoriosa! Achei um computador, peguei o numero do meu colega, doravante Gareth, e liguei pra perguntar como fazia pra chegar na casa. E ele, que jah tinha estado no aeroporto e tinha voltado pra casa, foi me buscar. Muito legal! Chegamos em casa e eu pude finalmente tomar um banho e relaxar um pouco. A casa nao eh grande, meu quarto eh minusculo, mas eh boa. Muito bonitinha e bem decorada e tem tudo o que eh necessario.
Fui jantar tradicionalmente num fish and chips (peixe frito com batata frita) e me senti dentro de um livro-texto daqueles que eu usava pra dar aula. Boa a comida, mas extremamente gordurosa! E fui dormir, depois de ligar pra mamae. Assim foi meu primeiro dia na Escocia.

Wednesday, August 23, 2006

Eis que surge...

E então, a 8 dias de tomar o primeiro avião com destino a bruxas, dragões, celtas e monstros que se escondem nas profundezas de lagos, eu dou início a este humilde diário. Faço dele uma ferramenta para manter contato com o povo que fica.... espero conseguir mantê-lo atualizado e com fotos.